quinta-feira, 10 de junho de 2010

Casos de Policia

Pafraseando o saudoso Professor Mirabolante, Pequena Isla é uma fonte inesgotável de causos bizarros.

Causo 1º:
policial gordo
Eu já falei daquele cara putanheiro-mor que trabalha comigo, pois então, esse cara tava me contando que, há algum tempo, tava rolando uma tensão "libidinosa" entre um policial e uma senhora casada, ambos aqui da cidade.

No entanto, o marido da mulher tava só de baga no bagulho, frustrando, assim, o intento dos dois, que não conseguiam consumar seu amor lascivo de jeito nenhum.

Qual a solução encontrada pelo policial para esta celeuma? Prender o marido, a fim de poder comer a esposa do cara! Sério, o policial fez isso mesmo, todo mundo conhece essa história aqui em Pequena Isla. E, em se tratando do Sistema Prisional Catarinense, capaz de o marido traído estar preso até hoje sem saber por quê.

Causo 2º:

Certa feita, a população local denunciou à policia que um velho estaria praticando atos libidinosos com uma menor de idade. A policia veio e prendeu o cara em flagrante delito.

Após breve investigação, viu-se que o velho se utilizava de brinquedos e doces para atrair menores até sua residência, onde, então, exploravá-os sexualmente.

Só de imaginar todas as atrocidades que o velho já haveria perpetrado, talvez até contra crianças da família e de amigos, os populares ficaram furiosos.

O acusado, possuía residência fixa, emprego lítico, era primário e tinha bons antecedentes, além de não ser preto nem pobre. Assim, em se tratando da (in)Justiça Brasileira, a população logo percebeu que havia grande possibilidade de o velho escapar ileso.

Qual a solução encontrada? "A galera", putiada, tacou fogo na casa e no carro do cara. Sério mesmo, caso "venérico". Só não sei se a descrença no nosso judiciário se confirmou.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Causo do Diabo da Tanzânia

copa do mundo seleção brasileiraA Copa do Mundo, aquele evento cujo único propósito é incentivar as pessoas a comprar mais tênis da Nike e a beber mais refrigerante, tem um poder de pasteurização incrível sobre as mentes brasileiras.

A alienação é tamanha, que a única preocupação nas próximas semanas será os resultados de jogos de futebol; é declarada a III Guerra Mundial? Um mega terremoto engole a Austrália? A NASA noticia que um meteoro do tamanho de Júpiter esta em rota de colisão com a Terra? - nada disso conseguiria distrair a atenção dispensada pelos brasileiros à Copa do Mundo. Isso sem contar que, do dia para noite, todos se transformam em fervorosos nacionalistas, como se cultuar um time de futebol fosse o mais sublime ato patriótico. E ai daquele que ousar discordar, ou simplesmente não se importar, pois a execração pública o espera; populares raivosos estuprarão sua esposa e atearão fogo em sua residência a bem da Nação Brasileira.

Por óbvio, coisa diferente não se vê na pequenina cidadezinha de Pequena Isla.

Inclusive, parece que esses dias houve um amistoso entre o Brasil e a Tanzânia. E é claro que, no dia do jogo, referido amistoso monopolizou todas as conversas de todos os habitantes do municipiozinho catarinense em que exerço meu húmus público.

Dito isso, gostaria de relatar um dialogo por mim presenciado aqui mesmo no Paço Municipal de Pequena Isla.

Antes, algumas considerações introdutórias para que o leitor possa compreender o contexto em que se deu o causo: como já exposto aqui anteriormente, funcionários públicos são tarados por café e costumam ter bastante tempo "disponível", assim, como há uma jarra de café na sala onde trabalho, todos os servidores do executivo municipal lá se reúnem para tomar café e papear sobre banalidades. Ah, e o jogo, como também já dito, foi entre o Brasil e a Tanzânia, que é um país localizado na África e que abriga o famoso Monte Kilimanjaro, pico mais alto daquele continente.
elefante Elephant monte Kilimanjaro tanzania africaEntão, naquele dia em que rolou o amistoso mencionado, eu estava sentado na minha estação de trabalho, enquanto que, ao lado, umas 7 pessoas bebiam café e conversavam animadamente. Alheio a isso, baixei a cabeça e tentei me concentrar na tarefa que estava realizando.

Em dado momento, uma frase me tirou do transe:

- Meu, vocês viram o jogo de hoje?! - indagou uma servidora municipal aos seus interlocutores. Todos assentiram e passaram a tecer elucubrações técnico-filosóficas sobre o desempenho do time brasileiro e suas chances no mundial. A conclusão é claro, foi a de que a Seleção Brasileira é o melhor time ever, e que o poder público deveria erigir templos em sua homenagem. Eu, por minha vez, permaneci em silêncio, pois não vi o jogo nem entendo picas de futebol, e se tal fato viesse ao conhecimento de meus colegas, por certo minha sexualidade seria posta em xeque.
tanzania africa
- Meu, vocês lembram do Taz-mania? - perguntou mais uma vez a servidora.

- Taz-mania?

- É, aquele personagem de desenho animado, que mora na Tanzânia, o Diabo da Taz-mania!

- Ah, tá, é verdade! - respondeu o grupo em uníssono, que passou a exaltar o saudoso e divertido personagem da televisão.

Eu pensei em intervir, e dizer algo do tipo: "Questão de ordem, caros colegas. Eu jurei para mim mesmo que não interviria nesta conversa, no entanto, a absurda afirmação de que o Taz-mania possui qualquer relação com a Tanzânia merece uma manifestação ex officio. Ressalto que o Taz-mania é inspirado no Diabo da Tasmânia, um marsupial carnívoro que só é encontrado na Tasmania, uma ilha pertencente à Austrália, na Oceania, não possuindo nenhuma relação com o país africano da Tanzânia. Quem sabe vocês devessem beber menos café e estudar mais geografia. Obrigado, porra."

No entanto, sabendo que essas palavras cairiam em ouvidos surdos, e que eu corria o risco de ser denunciado ao Ministério da Justiça como traidor da nação, correndo, inclusive, o risco de ter que buscar asilo político na Tanzânia, resolvi me quedar inerte e reentrar no transe hipnótico do trabalho burocrático.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Serial Killers Catarinenses

Tal qual um câncer que se espalha apressadamente pelo corpo enfermo, o movimento "100% vida loK" estende seus tentáculos pegajosos, como diria Luiz Cachaça da Silveira, "por toda Santa Catarina!".

Depois de terem vandalizado todos os espaços públicos compreendidos entre Gaspar e Blumenau, os vagabundos malocas agora resolveram depredar o patrimônio público da diminuta cidadezinha de Pequena Isla, veja só:




E o atrevimento e certeza de impunidade são tão grandes, que os caras fizeram isso na frente das sedes do Executivo e Legislativo locais, bem na cara do Poder Público.

Algum dia eu ainda comprarei um rifle e me tornarei um assassino serial de maloqueiros, algum dia...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Estoicismo

Estoicismo zenonAos poucos vou me acostumando ao marasmo do funcionalismo público na idílica Pequena Isla.

Mesmo após curto período trabalhado lá, posso afirmar que beber café, comentar os gols da rodada e combinar a próxima cachaçada com "a galera" corresponde a 85% das atividades diárias de meus colegas servidores.

E digo isso porque a porcaria da jarra de café fica na sala onde eu trabalho, e como funcionários públicos são obcecados por café (fato que eu já havia verificado quando era um escravo do judiciário catarinense), todos se reúnem lá para se empanturrar do café bancado pelos contribuintes e papear animadamente sobre resultados futebolísticos.

Até por quê, se você é um homem heterossexual em Pequena Isla, a única preocupação que ocupa a sua mente são os resultados de jogos de futebol, enquanto que a única coisa a se esperar do futuro é o próximo churrasco com os amigos. Apesar de quê, neste ponto, não se vê coisa muito diferente em Blumenau/Gaspar.

E eu, que apesar de heterossexual convicto, não entendo porra nenhuma de futebol, sou obrigado a ficar calado, a fim de não ser desmascarado e ver minha sexualidade ser colocada em xeque.

Uma outra coisa que me chamou a atenção, é que todos os homens de lá, apesar de moralistas e puritanos, frequentam assiduamente uma das duas zonas de meretrício da cidade. Nenhum encontro "da galera" estará completo se não terminar na zona. Há, inclusive, um cara que trabalha comigo que é o putanheiro-mor. Metade do pouco tempo que ele fica ali na repartição consiste em esquematizar idas à zona ou arranjar quengas para fazer surubas em motéis. Um verdadeiro atentado aos princípios da fé cristã, a qual não me filio, logo não me importo. Na verdade, secretamente sonho com o dia em que serei convidado para participar de uma suruba com quengas de 10 reais.

Digno de nota é um mudinho, que é peão da prefeitura, exercendo ao longo da semana todo tipo de tarefa penosa e insalubre, mas que toda sexta-feira procura uma das zonas da cidade para, entre as pernas de uma mulher, esquecer-se de que a vida não faz sentido. Só que como o cara nunca tem dinheiro, ele vai fazendo fiado. Dai quando finalmente vem o ordenado do mês, ele vai lá e usa toda a grana pra quitar sua fichinha.

Mas enfim, assim que tiver novos causos para relatar sobre Pequena Isla, o farei. Enquanto isso, vou vivendo minha vida de funcionário público, um café após o outro...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Power Maxx Vibration

transito em gaspar avenida das comunidadesSegundo consta nas Escrituras Sagradas, Nosso Senhor Jesus Cristo de Nazaré teve que suportar 40 dias e 40 noites no deserto escaldante. E como se o calor abrasivo do "Atacama" já não fosse suficientemente penoso, ele ainda teve que resistir a toda sorte de tentações arquitetadas pelo Coisa-Ruim, como, por exemplo, mulheres seminuas implorando por sexo, cargos comissionados no judiciário catarinense, assinaturas vitalícias da revista Veja, etc.

Surpreendentemente, ele conseguiu não sucumbir aos seus ímpetos mais profundos, passando no teste e sagrando-se o cara mega-fodão-mor, um indivíduo cuja grandiosidade só é sobrepujada pelos membros da magistratura barriga-verde.

No entanto, caso o desafio tivesse sido aguentar o transito gasparense por uma hora sem perder as estribeiras, creio que o nazareno teria ido pro barro, e a história como a conhecemos teria que ser reescrita.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Public restroom phobia

porta banheiro rodoviária rita maria Florianópolis cagar fora de casaComo noticiado aqui, na última quarta-feira (12/05), um dia ordinário de trabalho, enclausurado dentro de uma sala climatizada, sentado passivamente durante 8 entediantes horas defronte a um computador, deu lugar a mais uma agradável visita à Ilha da Agonia.

Se bem que minha chegada lá não foi tão agradável, razão pela qual passo a relatá-la:

Eu, enquanto individuo pertencente aos estratos mais baixos da pirâmide social gasparense, não possuo veículo automotor. Logo, dependo da boa vontade alheia e do transporte coletivo.

Naquele dia, mais especificamente, desloquei-me de busão até aquela Ilha que abriga os deuses do judiciário catarinense em toda sua glória. Cheguei lá às 6 horas, meu compromisso era só as 8 horas. Logo, teria que matar um tempo lá na rodoviária mesmo, pois às 6 horas da manhã não há muitos outros lugares para se matar tempo em Fpolis.

Antes de chegar ao ápice de meu relato, esclareço aos meus leitores que não gosto de cagar em banheiros públicos. Quem dirá em banheiros de rodoviária, que inclusive carregam tom pejorativo, eis que o mesmo termo "banheiro de rodoviária" é utilizado para descrever banheiros públicos em péssimo estado de conservação e limpeza.

Então, logo que desembarquei na rodoviária de Fpolis, fui confrontado com meu maior medo, fui acometido de forte vontade de dar uma cagada, sério, devia haver algum fator psicológico atuando no meu subconsciente, pois subitamente meu célebro enviou a seguinte ordem para o meu aparelho digestivo/excretor: "Cagar agora!"

Entrei em pânico, como poderia eu, um rapaz provinciano, vindo do interior, utilizar-me de um banheiro de rodoviária numa das maiores cidades do estado de Santa Catarina? Com certeza deveria ser um lugar desprezível, não queria nem imaginar a cena.

Minha reação inicial foi lutar contra meus instintos mais primitivos: "Calma, garoto, você está no controle. Você é o mestre do seu próprio reto", pensava para comigo. "Tudo vai dar certo, só faltam duas horas para você ter a disposição um banheiro limpo e cheiroso".

Mal havia concluído o pensamento supra mencionado, comecei a sentir fortes convulsões estomacais. Tudo parecia estar perdido, meu estômago ganhou vida própria e se voltou contra mim.

Pesaroso, tentando postergar uma decisão sobre o mal que me acometia, resolvi inspecionar o toilet daquela rodoviária.

O banheiro não era muito grande, e logo que entrei avistei a parede oposta, onde se enfileiravam várias portinhas. O negócio era um caos, portinha após portinha, tudo cagado, pixado, esculhambado. Finalmente, quase no final, achei uma cabine que, aparentemente, reunia as condições mínimas para receber a mim e minhas fezes. Ao menos o último cara tinha dado a descarga.

Não podendo mais me conter, tomei a triste decisão, fechei a portinha. Respirei fundo e segurei o ar, com minhas última forças verifiquei se havia papel higiênico e se a descarga funcionava. Quase não deu tempo de limpar a área em que eu iria me sentar com um pouco de papel, pois assim que acabei de higienizar o negócio, sentei-me violentamente no trono e iniciei os trabalhos. Metaforizando: parecia que haviam quebrado os cadeados de uma prisão que abrigava um sem fim de prisioneiros ávidos por liberdade, parecia que haviam aberto as porteiras que separavam uma enorme manada de búfalos do campo aberto, etc.
porta banheiro rodoviária rita maria Florianópolis quer foder minha vó?
Ironicamente, enquanto o espetáculo da natureza assumia seu curso em minha cavidade retal, divisei na porta os seguintes dizeres: "eu odeio cagar fora de casa nada como a casa da gente pra soltar um barro sossegadamente". Em resignação, tirei uma foto, como vocês mesmos podem ver na primeira imagem que ilustra este relato. Também havia um outro escrito naquela maltratada porta de banheiro de rodoviária que me chamou a atenção, vide imagem ao lado. Perspicazmente, anotei o telefone, para uso em futuras visitas àquela cidade.

Terminei meu negócio, limpei meu castigado traseiro, já meio conformado com aquela situação lamentável. Logo que eu abro a porta, dou de cara com um mendigo do lado de fora ansiosamente esperado pra usar a privada. "Puta-que-o-pariu", pensei para comigo enquanto o mindingo entrava apressado na cabine. Causou-me tristeza a possibilidade de ter sentado minha bunda alva e delicada numa privada utilizada contumazmente pela escoria da sociedade e seus traseiros perebentos

Fui lavar a mão apenas para encontrar outro mendigo tomando um "banho turco" na pia. "Puta-que-o-pariu", pensei mais uma vez.

Sentido-me violado, voltei para a área de espera da rodoviária, sentei-me num banco e, em posição fetal, algumas lágrimas correram dos meus olhos. Daquele dia em diante, nada seria a mesma coisa...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homem de Ferro III: O Casamento

Nesse final de semana, fui assistir ao filme Homem de Ferro 2 no cinema do Shopping Neutrouxas.

O filme é bacana, mas não é tão bom quanto o primeiro. É que no primeiro filme a trama era mais concisa, mais objetiva, o filme realmente girava em torno daquele que responde pela alcunha de Homem de Ferro. No segundo filme, em compensação, você quase que se perde entre tantas subtramas românticas e dramas da vida cotidiana.

Ao que parece, a vontade cega de repetir o sucesso do primeiro filme sobrepujou o qualquer possibilidade de se fazer uma continuação igualmente maneira; a fome por lucro fácil engoliu o bom senso.

Aproveito o ensejo para indagar algo: Há não muito tempo atrás, Robert Downey Jr, o cara que interpreta o homem de ferro, mesmo já tendo estrelado uma centena de filmes, não era objeto da lascívia de nenhuma mulher. Muito pelo contrário, contumazmente era motivo de chacotas por ser um drogadito e putanheiro. Mas é só o cara estrelar uma superprodução e aparecer na capa de todas as revistas, que subitamente tudo são águas passadas e agora ele é o homem mais belo e desejado de todos os tempos da última semana?

É impressionante o poder que a mídia exerce sobre o "célebro da mente humana".

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Porque tão longe ir pôr o que está perto

Já faz alguns dias que venho laborando no pequenino município catarinense de Pequena Isla, onde fui lotado em um cargo junto ao Poder Moderador daquela cidade.

Eu que sempre sou ignorado por todos em Gaspar e Blumenau, sou visto com grande curiosidade pelos habitantes de Pequena Isla, num misto de medo e fascino. As nativas, atraídas pela aura mística que me cerca, contumazmente se oferecem para satisfazer minha lascívia, acreditando que assim garantirão uma colheita prospera no ano seguinte.

No mais, nada de muito empolgante lá, pois se tu achas que Gaspar é o cu do mundo, pense novamente; naquela cidade, em resposta à pergunta "que tu fez esse final de semana?", nego costuma responder "fui dar um volta em Gaspar". Sem brincadeira.

cruzeiro gay cruiseRessalto que referido cargo público não me fará desistir da minha atual empreitada, qual seja, trabalhar em um navio que ficara durante 6 meses em alto mar, única oportunidade que terei para realizar um velho sonho: dar uma cagada em cada um dos sete mares.

Inclusive, tendo sido aprovado na entrevista preliminar, no próximo dia 12 de maio regressarei a Nossa Senhora do Desterro, vulgo Ilha da Magia, para a segunda etapa do processo de recrutamento: um curso de dois dias no Bokarras Convention & Visitors Bureau que será ministrado por diversas "profissionais" do ramo.

Maiores detalhes en preve.

domingo, 25 de abril de 2010

Gabarito do Concurso de Blumenau

Após três desagradáveis meses, sexta-feira pedi o boné no escritório de adevocacia em que estava trabalhando.

E antes que me critiquem por largar a profissão de adevogado, ressalto que a mim não me interessam títulos de Doutor e outras viadagens do tipo, mas tão somente a cafifa e a garantia de uma existência um pouco mais digna.

É que nesta segunda-feira irei assumir um cargo público de alto escalão no município catarinense de Witmarsum.

Assim, se meu plano de ganhar a vida navegando pelo sete mares for por água abaixo, como tudo aquilo que me proponho a fazer, ao menos não terei que continuar me prostituindo advogando, nem terei mais que conviver com outros adevogados e/ou baixarias em direito, eis que são a profissão e os seres mais desprezíveis do planeta Terra, respectivamente.

Uma vez empossado, minha primeira medida será propor uma emenda à Lei Orgânica do município, no sentido de me ver incluindo na linha sucessória do comando do Poder Executivo municipal em caso de vacância do cargo, que passará a ser a seguinte: vice-prefeito, presidente da Câmara de Vereadores, eu.

Ato contínuo, lutarei pela criação do cargo de Procurador-Geral-Mega-Fodão a ser ocupado pela minha pessoa, e cujas funções consistirão exclusivamente no recrutamento e seleção de estagiárias.

Proporei, ainda, emenda a Constituição Federal para que a redação do Inciso XI, do Art. 37 passe a ser:

"a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, exceto o Procurador-Geral-Mega-Fodão da Comarca de Witmarsum."

sábado, 17 de abril de 2010

Vagas para advogados em Blumenau

"Quando se é um advogado, todos os dias são um chute nos bagos."

- Robaco da Silva, 17/04/2010

Cabo Bojador

Na última quarta-feira, o que poderia ter sido mais um dia de prostração diante de um computador, inventando lorotas jurídico-processuais para ferrar a vida dos outros, transformou-se numa agradável visita à Ilha da Agonia.

Dei o balão no meu desagradável metiê diário para tentar a sorte na cidade grande. Até por quê, como já dizia o poeta Fernando Pessoa, "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena."

Enquanto esperava meu compromisso, matei um tempo dando umas bandas lá no centro. Com certo saudosismo, andei por aquelas ruas, eis que já morei lá quando era apenas uma criancinha cheia de sonhos. Cansado de andar, sentei-me sob o abrigo das árvores na Praça XV e li um pouco.

Chegada a hora, dirigi-me até determinado edifício ali no centro e me submeti a um teste do sofá. Aparentemente com sucesso.

Daqui algumas semanas, inclusive, terei que retornar àquela Ilha para um treinamento. Se mais essa etapa der certo, en preve estarei zarpando em um navio repleto de belas mulheres em trajes sumários rumo ao desconhecido.

Mas deixarei para tecer maiores comentários depois de concretizada essa nova empreitada.

domingo, 11 de abril de 2010

Gabarito Oficial do Concurso do TRF 4

Hoje prestei um concurso para Analista Judiciário da Justiça Federal. A prova tava foda: 20 questões de português, 40 questões de direito e uma redação.

Eu, que estudei bastante, acho que fui pro barro. O gabarito oficial deve sair ao longo desta semana.

E nem preciso dizer qual era o papo corrente entre os baixarias em direito lá presentes. Teve um zé guede, inclusive, que após ficar 11 horas num ônibus que veio do Rio Grande do Sul, teve a empáfia de me dizer "ah, nem estudei nada; vamu vê no que vai dar (...)".

Eu, pessoalmente, teria vergonha de compartilhar uma informação dessa com estranhos.

Mas só deus sabe o que se passa na cabeça desses imbecis que saem do curso de direito...

Dulcolax®

Sou o tipo de pessoa incapaz de aprender com os próprios erros, eis que, ano após ano, o mesmo drama se repete em minha vida:

Chega a Páscoa e minha mãe faz um mega panelão de amendoim açucarado. Durante vários dias, como amendoim açucarado compulsivamente. Posteriormente, sou acometido de fortes caganeiras.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Hipótese de Oparin

Na próxima semana regressarei à Ilha da Agonia para uma nova empreitada.

Se tudo der certo, uma vida de conformismo e resignação dará lugar a uma aventura ao redor do mundo.

Mas enfim, não cantarei vitória antes do tempo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Apartamentos na Alameda

Lá onde eu laboro, há uma pequena cozinha onde as pessoas se reúnem na hora do almoço para rangar.

Então, um dia desses, lá estava eu silenciosamente comendo um X-Salada. Além de mim, devia haver umas 5 advogadas na mesa. Elas conversavam animadamente, pra variar, sobre o ganhador do Big Bosta Brasil. Em seguida, contavam seus planos caso algum dia viessem a ganhar 1 milhão de reais.

Nisso, uma guria comentou que no dia anterior havia assistido uma palestra na FURB sobre o processo de favelização em Blumenau. A guria, uma advogada de quase 30 anos, contou sua surpresa ao descobrir que havia favelas em Blumenau. Todas as outras advogadas receberam a informação com igual surpresa.

Normalmente me calo perante as asneiras que ouço naquela maldita cozinha, mas aquilo ali era demais.

- Sério, em que mundo vocês vivem? Claro que há favelas em Blumenau. Onde é que tu acha que aquela empregada doméstica que limpa a tua casa mora? Numa cobertura triplex na Alameda? E aquela cambada de malocas que enchem nossas ruas, vocês acham que eles vem de onde? Tome alguns segundos pra olhar ao seu redor e será possível ver que quase todos os morros de Blumenau já foram tomados por casebres. Bla bla bla.

Minha opinião, por óbvio, caiu em ouvidos surdos. Todas me olharam perplexas e eu me lembrei por que evito me manifestar naquele lugar.

Em seguida, como bons boizinhos do consórcio Revista Veja/Rede Globo, concluíram que o problema da favelização em Blumenau era culpa do Governo Lula, que dá dinheiro aos pobres, e do MST, que invade áreas proibidas. De posse de tal conclusão, deram-se por satisfeitas e voltaram a tecer comentários sobre a péssima programação televisiva.